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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Para ser feliz e rejuvenescer - parte II

Aqueles que acessam meu blog podem até pensar que não estou sendo nada original em ficar reproduzindo textos de outras pessoas. Todavia, não podia deixar de postar a matéria que segue. É uma forma de prestar homenagem aos meus vários colegas de profissão e amigos, que tiveram coragem de MUDAR de profissão, ou mesmo, DAR UM TEMPO para refletir a respeito do que estavam fazendo com suas vidas profissionais e qual caminho que queriam trilhar. Afinal, "É preciso ter coragem para colocar o ponto final numa frase (...) uma coragem tão grande, muitas vezes até maior, do que aquela necessária para começar a frase."



COMO GANHAR A CORRIDA DO TEMPO
Se vamos viver e trabalhar mais, temos que pensar que precisamos ser muito felizes. Escolher uma carreira é tão importante quanto mudar quando tivermos uma idéia melhor.

A vida ficou mais comprida. Os 50 são os novos 40, os 40 são os novos 30, os 30 são os novos 20... E por que eu estou falando tudo isso? Para dizer que, se o nosso tempo foi esticado, a vida profissional idem. Embora a certa altura o mundo corporativo tenha tentado nivelar por baixo a idade média das posições de comando, a crise econômica saiu em socorro dos baby-boomers (as pessoas que estão hoje nas faixa dos 50 e 60 e poucos). Em tempos bicudos, explicam, há que se recorrer à experiência e maturidade da geração de cinqüentões ou plus para segurar a onda do mercado. Mesmo que em circunstâncias adversas, pelo menos se provou que a vida profissional não termina aos 30. Ainda bem. Ganham todas as gerações. Ganhamos todos: prazos e horizonte. E prazo é bom, porque dá tempo para começar, conferir, acontecer, refletir e ... MUDAR!
Viajei recentemente com um grupo de mulheres de duas gerações. Todas inteligentes, ativas, antenadas, profissionais bem-sucedidas de diversas áreas. Entre as mais jovens havia uma curiosa coincidência: com idade entre 21 e 30 anos, ni início da vida profissional, elas haviam decidido MUDAR DE CARREIRA. Uma economista, uma engenheira e uma estudante de arquitetura, bem encaminhadas em suas áreas, tomaram a decisão de mudar. MUDAR MESMO. COMPLETAMENTE. A economista, trainee de uma multinacional, virou professora de ioga. A engenheira de alimentos deixou um emprego na indústria e foi ser estilista de moda. A estudante de arquitetuta que entrara em uma das mais concorridas faculdades do país cursou um ano, adorou as aulas, mas sacou que sua paixão era outra: decidiu estudar medicina natural. O que há em comum entre elas, além da cabeça boa e a coragem de repensar seu plano de vida? É que elas enxergaram o óbvio. Primeiro, que temos prazo. Dá tempo, sim, de começar e mudar de idéia. A opção que ficou para trás e que em outras épocas poderíamos tachar de "experiência frustrante" vira só "experiência". A ser usada a nosso favor. Seja qual for a sua escolha, mesmo que os campos pareçam tão diferentes quanto economia e ioga, não é conhecimento jogado fora. Minha jovem amiga, ex-economista é uma professora maravilhosa, e sua atitude, diante dos alunos, seu modo de ver a vida tem conexões claras com o aprendizado e a vivência de outro mundo. As meninas poderosas também enxergaram algo que muitas vezes desprezamos: a afinidade com a profissão escolhida é fator número um para o sucesso. Sempre foi assim, é verdade, mas agora a questão se radicalizou. Até pouco tempo atrás ainda era possível separar vida e trabalho. Jornada de 9h às 18h, e aí se chegava em casa para viver uma segunda vida. A internet, os smartphone acabaram com a divisão. Vivemos, querendo ou não, conectados. É muito difícil viver a "segunda vida" e mais difícil ainda competir com quem não sabe o que é "segunda vida". O segredo para não transformar as 24 horas de "única vida" em um pesadelo sem fim é gostar muito, muito do que fazemos. Mesmo que você chegue em casa e continue envolvida com sua atividade, isso não é mais trabalho, é paixão. Dá prazer. Mudar de idéia quando ficamos espertos o suficiente para descobrir do que realmente gostamos não é loucura ou irresponsabilidade. É razão. O tempo está conosco.

Texto publicado na coluna [Trabalho] idéias para melhorar o seu por Cynthia de Almeida* - Revista Criativa de Abril/2009

*Jornalista em campanha por um mundo corporativo mais feliz sob o comando das mulheres.